Thursday, March 9, 2017

Céu

Ontem, 8 de março de 2017, Nonô partiu deste mundo... mas ficou eternamente no meu coração. Eu nunca tinha tido um gatinho. No início fiquei com medo de ter crises de asma, de não saber como lidar com um gato, de ser arranhada... mas com o Nonô tudo era fácil. Ele era um gato docinho. Me apaixonei por ele, e acho que ele por mim. Estávamos sempre juntos, ainda mais quando ele ficou mais velho. Ele tinha 9 anos mas brincava como um filhotinho... esta última semana então, ficamos espantados com ele. Como a sala estava cheia de caixas de papelão por causa de umas encomendas que um amigo fez, ele não parava de circular em torno delas, se escondendo sob as abas laterais, brincando com um pedacinho de papel que ele achou não sei onde. Tão palhacinho, como sempre.

Até domingo ele estava bem. De manhã ao acordar, encontramos Nonô paralisado na lavanderia. Toda a parte traseira dele fria e imóvel, ele tinha evacuado, urinado e vomitado e estava ali, totalmente impotente, o olhar tranquilo, mas perdido. Liguei para a veterinária dele, foi imediatamente examinado e internado. O diagnóstico, um tromboembolismo aórtico, provavelmente ao nível da trifurcação. Temperatura do corpo muito baixa, ausência total de pulso, o prognóstico era reservado. O único tratamento disponível para os gatos é a administração de heparina... e esperar que funcione. No caso do Nonô, infelizmente, não funcionou.

Eu o visitei todos os dias. Rezei muito para São Francisco, santo que adoro, levei uma pouquinho que me restava da água de Lourdes e passei nele, na boquinha dele. Ele engoliu. Levei seu camundongo de brinquedo, que assustou uma veterinária, tão realista que ele é. Ele cheirou o camundongo e pareceu contente. Coloquei um retalho de jeans onde ele costumava se deitar sempre, e que eu deixava em cima da minha mesa de trabalho, em frente à janela. Ele se deitava ali e vigiava a rua, atento a qualquer movimento. Ele deitou a cabecinha no retalho de jeans. No dia seguinte levei uma almofadinha com o cheirinho da Nini, ele não gostou muito, mas acho que reclamou de dor e não do cheiro da irmã. Coloquei ao lado dele, entre ele e a parede fria de azulejos e ele apoiou o corpo. Eu não sabia o que fazer para dar um pouco de conforto ao meu gatinho querido.

No início ele não parecia ter dor, mas com o decorrer dos dias comecei a notar que ele estava agitado ao toque. Estávamos cientes de que, se no 4° dia não houvesse melhora, deveríamos considerar a eutanásia, já que essa doença provoca dores alucinantes. E assim foi o destino do nosso gatinho amado, mimado, adorado. Ao invés de morrer de velhice, na paz do seu lar, no seu lindo jardim, ele teve o triste fim de passar 4 dias paralisado, sob morfina, me vendo uma hora por dia e no fim com dores que nem a morfina conseguia segurar. Imediatamente optamos pelo fim mais humano. Não podíamos tolerar que ele sofresse.

Eu o examinei depois de morto. Suas patinhas já muito edemaciadas, crepitavam. Sinal de necrose. Ele partiu não como queríamos, mas partiu antes do sofrimento maior, disso estou convencida.

Meu Nonô, você foi meu companheirinho de 9 anos. Eu amo você.

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