Foi na primavera de 2008, em abril, ou maio, talvez,
Que num quadro perfeito, você, sob a roseira em flor,
Me apareceu pela primeira vez...
Você chegou num dia de primavera. A roseira carregada formava o quadro no qual você ficará gravado para sempre na história da minha vida. Puro e sorridente, você chegou leve como uma pluma, atravessou a rua do vilarejo e se aventurou no meu jardim. Foi a melhor coisa que você fez, porque o que te esperava era uma vida de amor. Começamos a nos estudar com cuidado, nao por medo, mas por delicadeza. Você transpirava ternura, gatinho adolescente fazendo charme, como você fez a vida toda, sempre que queria alguma coisa.
Estou no mundo há 56 anos, mas os 9 anos de amor que vivemos foram os mais doces. Se existe um consolo para o fim doloroso que a tua curta vida teve, é que todos os teus nove anos foram repletos de amor, de mimos e de carinhos. Você era o "rei do pedaço", nosso centro de mesa, aquele que, uma vez instalado, ninguém removia de lugar nenhum, por mais inadequado fosse.
Eu nunca soube o quanto te amava até o dia em que te perdi. A única lição que tirei disso tudo é que temos que amar, amar muito até sufocar, amar incondicionalmente e desesperadamente, porque ainda que não salve a vida de ninguém, ainda que não vença a morte, de forma alguma, o amor perdura.
Só me restou o amor que sentíamos um pelo outro, presente em cada lembrança que você deixou.

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